...Mário e Raquel se conheceram na fila de um supermercado para comprar
um sorvete.Era verão, e o calor do tempo fez logo com que descobrissem
que eram vizinhos de Anchieta e de amor.Aos 16 anos começaram a conjugar
a vontade, firmaram o pacto de casar sob a lua tendo como testemunha o
sol.A graça dos dois era fugir dos outros sonhos daquela juventude:
funk, rola, pussy e postagem. Lá pelas
praças de Ricardo, os dois mantinham um encanto leve e não atreviam a
avançar, fosse pela educação evangélica de ambos, fosse pelo medo de
perder o namoro por alguma passada de mão desejada.O casal estava sempre
aos olhos da mãe de Raquel e, as vezes, pela inveja da mãe de Mário. Os
apaixonados estavam acima daquilo, do julgamento. Os ônibus, as luzes,
cheiro do óleo velho da batata frita e o resto dos humanos pagavam a
conta de que o casal ainda estava na Terra.
Um tiro venho perfurando
o vento e construindo um novo tempo no peito de Mário. A boa rapidez
escureceu a visão do rapaz. Alma ainda conseguiu cair aos braços de
Raquel. O bairro cresceu em pessoas, os pais oravam e Raquel sem
lágrimas esperando a outra bala chegar, e não chegou. Os dias tiveram
poucas chances e o menino foi ter certeza de tudo e a Raquel sem a dele.
Mas foi pela janela ,de um momento de poucas vantagens, que ela viu o
sol entrando pelo quarto e dando a lua que tanto sonhava.Pelos os olhos
não se vinham , a partir do dado instante, a vida de forma. Se via a
vida de sonho jorrando do seu peito, era mais amor, era o casamento.

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