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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Ao lado

Ando lado, mas pareço ereto
meu corpo tem de ser hétero
para o mundo torto.
Ao lado é além do porto,
sem farol de certeza,
que indica a tal natureza
esta fora do contorno.
Ai ando ao lado de um julgo normal,
uso máscara para esse irracional,
ver a decência,
mas a própria demência
se perde no seu corpo.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Casamento

   ...Mário e Raquel se conheceram na fila de um supermercado para comprar um sorvete.Era verão, e o calor do tempo fez logo com que descobrissem que eram vizinhos de Anchieta e de amor.Aos 16 anos começaram a conjugar a vontade, firmaram o pacto de casar sob a lua tendo como testemunha o sol.A graça dos dois era fugir dos outros sonhos daquela juventude: funk, rola, pussy e postagem. Lá pelas praças de Ricardo, os dois mantinham um encanto leve e não atreviam a avançar, fosse pela educação evangélica de ambos, fosse pelo medo de perder o namoro por alguma passada de mão desejada.O casal estava sempre aos olhos da mãe de Raquel e, as vezes, pela inveja da mãe de Mário. Os apaixonados estavam acima daquilo, do julgamento. Os ônibus, as luzes, cheiro do óleo velho da batata frita e o resto dos humanos pagavam a conta de que o casal ainda estava na Terra.
Um tiro venho perfurando o vento e construindo um novo tempo no peito de Mário. A boa rapidez escureceu a visão do rapaz. Alma ainda conseguiu cair aos braços de Raquel. O bairro cresceu em pessoas, os pais oravam e Raquel sem lágrimas esperando a outra bala chegar, e não chegou. Os dias tiveram poucas chances e o menino foi ter certeza de tudo e a Raquel sem a dele.
Mas foi pela janela ,de um momento de poucas vantagens, que ela viu o sol entrando pelo quarto e dando a lua que tanto sonhava.Pelos os olhos não se vinham , a partir do dado instante, a vida de forma. Se via a vida de sonho jorrando do seu peito, era mais amor, era o casamento.