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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A foto

eu tinha acordado de manhã para ver a praia que ficava a 15 minutos da minha casa.Eu só tomei um gole de café, coloquei a minha sunga preta e partir para o mar.O céu prometia arrebentar hoje e desejava realmente curtir o meu sol sozinho e tranquilo.As ondas batiam  como se fossem músicas no silêncio, a verdade era que eu nunca tinha sentido a brisa matinal que a praia oferecia.Abri o jornal que já tinha comprado no caminho e  que não consegui sequer ler a primeira pagina porque o dia começava tão lindo que preferi contemplar aquela paisagem.

Logo ali tinha uma senhora que tomava água de coco, o anil daquele dia tornava qualquer um alegre, mas ela parecia triste, uma fotografia bela e melancólica que soava até misteriosa naquele momento.Tudo tinha parado, meus olhos só queiram fitar cada movimento dela, eu queria vê-la,olhá-la e percebê-la como algo que fizesse parte mim, queria participar de sua tristeza, pois de seus olhos começavam sair lágrimas.Quis levantar, mas a vontade de ver acontecer matou o meu senso de caridade.Eu queria ver.

Ela acabou com a água e a deixou de lado ,tirou da bolsa uma foto que logo a brisa levou, a mulher levantou com uma certa dificuldade, conseguiu pegar a fotografia que ficou presa numa gafarra de cerveja e de pé continou a olhar para a foto,estava com traje bem praiano:canga azul com simbolos  indianos, a parte de cima de um biquini de cor azul mais forte , um chápeu e bolsa de palha.Aparentava ter entre 40 a 50 anos e tinha um rosto de que sempre transmite simpatia e mocidade, por isso que seus gestos lentos e carentes me deixavam curioso.

A tal senhora se voltou para o mar e uma nova brisa levou o chápeu, ela até tentou segurá-lo, mas que acabou indo ficar muito longe.Continou para o oceano,e agora de olhos fechados recebia mais uma rajada de vento que lhe fez esboçar um sorriso.Algo que eu definia como inerente às suas feições e no mesmo instante abriu os braços a ponto de reconhecer que ela segurava a leve ventania.

O som daquela manhã era único, a poesia cantada em silêncio. Parecia que aquele lugar era nosso, feito para entregar os cinco sentidos e morrer feliz.Assim que parou de ventar, endireitou a sua canga, olhou para trás, acho que era para ver se via o chápeu,mas sem sucesso.

Ainda com a foto na mão, ela a levou até a altura dos lábios e a beijou numa ternura que invejei e tirou da bolsa agora um papel dobrado.Ao redor, buscou algo com o olhar, até que insisitu na garrafa.A lavou com a água do mar, colocou dentro dela a foto e o papel e tampou com uma rolha que com dificuldade conseguiu fechar.

Nesse instante um vento muito forte quase arrancou sua canga, deixou a garrafa cair na areia e com uma gargalhada fechou os olhos, ela parecia sentir um extase naquele ambiente rico em detalhes naturais e pessoais.Ainda ventando,ela pegou a garrafa enterrada na areia e a jogou no mar e esperou sumir com águas.

Abaixou a cabeça e ainda vi algumas lágrimas cair.Começou a caminhar de volta para o calçadão quando um menino apareceu e lhe entregou o chápeu perdido,parecia ser seu neto, ela agachou e o abraçou com muito carinho até que o olhar dela se cruzou com o meu,uma intimidade passou por nós e, abraçando o garoto, ela acenou com a cabeça e eu retribui, depois , com ajuda do menino, levantou, apontou para o coco vazio que logo o menininho fez de bola  e de maõs dadas continuaram o caminho para fora da areia .

Eu vi ainda a garrafa flutuando , mas pensei que seria indiscreto saber que segredo alguém tinha com o mar.Isso até me suou estranho,então resolvi tentar ler a segunda linha do jornal.

 

 


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